A encíclica sobre IA é mais afiada do que eu esperava
Leão XIV publicou a Carta Encíclica Magnifica Humanitas, de 15.05.2026, dedicada à inteligência artificial. Li na semana do lançamento e não esperava um texto tão atual e tão bem construído.
Não é um “não” à tecnologia. A tese central é mais difícil de engolir: “Na prática, ela não é neutra, porque tem o rosto daqueles que a concebem, financiam, regulam e utilizam” (§9). Quem codifica, decide. E hoje quem decide já não são os Estados.
Sou entusiasta de IA, uso todo dia, ensino e defendo. Mas entusiasmo sem conhecimento não é entusiasmo, é ingenuidade. Criticar não é ser contra: quem critica quer que aquilo funcione bem, e funcione para todo mundo. Defender o uso ético da IA é ser a favor da IA.
A encíclica não para no lamento, vai para a responsabilidade: acesso para todos, proteção de quem é mais vulnerável, auditoria de algoritmo e controle público sobre dados e tecnologia (§80). Isso não é filosofia, é pauta de regulação. É trabalho nosso.
Li a Magnifica Humanitas na semana em que foi lançada e fiquei muito impressionada. Não achei que uma encíclica sobre inteligência artificial fosse ser tão atual, tão afiada e tão bem construída.
Os textos dos cards são a minha síntese das ideias. As citações exatas e os parágrafos estão no fim.
Deixa eu me apresentar direito: eu sou entusiasta de IA. Uso todo dia, ensino, defendo. E acredito de verdade no que ela faz. A gente vive soterrado em informação, e ter uma ferramenta que organiza, cruza, resume e libera tempo pra pensar não é pouca coisa. É muita coisa.
Só que entusiasmo sem conhecimento não é entusiasmo. É ingenuidade.
E é isso que a encíclica faz muito bem. Ela não é um “não” à tecnologia. Leão XIV deixa claro que a técnica não é inimiga da pessoa. O que ele diz é bem mais difícil de engolir: “Na prática, ela não é neutra, porque tem o rosto daqueles que a concebem, financiam, regulam e utilizam.” (§9)
Quem codifica, decide. E hoje quem decide já não são os Estados. São empresas com mais dinheiro e mais poder que muito governo por aí.
Eu fiz esses cards em estética cyberpunk porque foi assim que o texto soou na minha cabeça. Papa Cyberpunk no melhor sentido possível.
Porque criticar não é ser contra. É o contrário disso. Quem critica está querendo que aquilo funcione bem, e funcione pra todo mundo. A gente faz isso com todas as tecnologias que já mudaram o mundo. Defender o uso ético da IA é ser a favor da IA.
E aqui vem a parte que me interessa como advogada. A encíclica não para no lamento. Ela vai pra responsabilidade: acesso pra todo mundo, proteção de quem é mais vulnerável, auditoria de algoritmo e controle público sobre dados e tecnologia (§80). Isso não é filosofia. Isso é pauta de regulação. Isso é trabalho nosso.
No fim é simples. A humanidade vem antes da tecnologia. Sempre.
A IA processa, sugere, acelera. A decisão continua sendo nossa. E a conta também.
Construir no bem. Permanecer humanos.
Carta Encíclica Magnifica Humanitas, Leão XIV, 15.05.2026. Íntegra em vatican.va. §1 Babel ou a cidade · §9 a técnica não é neutra · §15 dignidade ofuscada · §64 subjugar uma nação · §67 concentração nas mãos de poucos